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Sofia sem escolha
Há uma louca perambulando pela rua Dona Mariana, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Chama-se Sofia da Silva e é moradora de rua. Em seu delírio só chora e repete uma palavra: Fábio. Sofia não era louca, ficou porque funcionários da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social arrancaram-lhe dos braços o filhinho que ela ainda amamentava. O nome do filho já é fácil adivinhar. Fábio (um ano e meio) está recolhido no Educandário Romão Duarte e foi para lá porque uma denúncia anônima e não checada bateu na secretaria. A loucura da mãe, Sofia, que não tem casa, tem cura imediata: é só devolverem-lhe a parte do corpo que lhe tiraram - Fábio. Tem cura também porque a sem-casa Sofia conta com a solidariedade de pelo menos cinco com-casa da mesma rua Dona Mariana. São cinco psicólogas. “Fábio vivia arrumado e sorrindo, e sua carteirinha de vacinação está em dia”, diz Helena Rego Monteiro, uma das psicólogas. Quem sabe dê para o prefeito Luiz Paulo Conde mandar seus funcionários conversarem com os moradores da rua para saber que Sofia é uma boa mãe. Foi isso que ISTOÉ fez: ISTOÉ - Sofia maltratava o filho? Helena - Não. Todos da rua conheciam mãe e filho. Ela o tratava bem. ISTOÉ - O que vocês farão? Helena - Já tiramos cópia do registro civil da criança e vamos constituir um advogado para a Sofia. A Sofia teve muito azar: é mulher, sozinha, preta e pobre.
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