f_carro2t.gif (8368 byte)Se o carro que você guia tem menos de cinco anos, é certo que ele carregue vários computadores a bordo. No final dos anos 80, os chips começaram a entrar nos automóveis controlando os sistemas de ignição e injeção de combustível. Hoje, são usados para comandar o ar-condicionado, o painel de instrumentos e o rádio. Servem até mesmo para corrigir erros dos motoristas! Estima-se que haja 20 chips num carro que sai da linha de montagem. Nos próximos anos, haverá muito mais. Componentes mecânicos serão substituídos por sensores e motores elétricos, e os carros serão capazes de captar, receber e transmitir informações. Escolherão o melhor caminho para chegar ao destino e assumirão o controle da direção para que o motorista possa trabalhar ou telefonar.

Eventualmente, a presença dos computadores no mundo do automóvel será total: eles ajudarão a projetar os carros e todos os seus componentes, desenharão as fábricas e máquinas que os construirão e realizarão testes "de pista" antes mesmo que ele seja construído. Você comprará seu carro pela Internet, depois de experimentá-lo virtualmente. E os computadores se encarregarão de avisá-lo quando for necessário qualquer tipo de manutenção, seja uma troca de óleo, calibragem nos pneus ou uma ida à oficina para resolver problemas mais sérios.

Muitos desses sistemas já são oferecidos nos veículos de luxo ou encontram-se em pleno desenvolvimento. A Daimler-Chrysler, por exemplo, trabalha numa série de inovações que deverão chegar ao mercado na próxima década, entre elas um sistema de direção sem volante e sem pedais; e um método de "reboque virtual" em que dois ou mais caminhões trafegam juntos sob o comando de um único motorista sem nenhuma ligação física; além de um sistema capaz de identificar pedestres no meio do trânsito e "enxergar" sinais de trânsito e semáforos.

Joystick – Os engenheiros da Daimler-Chrysler estão experimentando um sistema de direção por joystick, instrumento semelhante àquele usado nos PCs para controlar games, num conversível Mercedes SL. O sistema permite controlar a aceleração, frenagem e direção através de uma única alavanca. Basta incliná-la para os lados para conduzir o carro. Para acelerar, é só pressioná-la para a frente; para frear, fazer pressão para trás. Se não houver pressão no sentido longitudinal, o sistema manterá a velocidade constante, acelerando ou cortando o combustível sempre que necessário. Quando o carro estiver parado num semáforo, os freios serão automaticamente acionados até que você acelere novamente.

A transmissão, obviamente, é automática e seus comandos tradicionais, como a ré, são acionados por botões no painel. Na alavanca, há dois botões para os piscas e um gatilho para acionar a buzina. O carro experimental tem dois sticks, um deles colocado à esquerda, na porta, para motoristas canhotos. E, ao contrário do que acontece nos videogames, o comando transmite ao motorista a resistência que as rodas encontram: numa estrada molhada, por exemplo, ele fica mais leve, se a roda estiver encostada no meio-fio, se torna mais pesado.

Além do ganho de espaço, a retirada dos comandos tradicionais aumenta a segurança passiva, já que tanto o volante como os pedais costumam causar ferimentos em acidentes. O motorista pode encontrar com mais facilidade a posição ideal para guiar, seja qual for seu tamanho. Do ponto de vista ativo, basta lembrar que as mãos são muito mais sensíveis e hábeis do que os pés: testes com grupos de motoristas aprendizes feitos pela Mercedes comprovaram que é muito mais fácil, seguro e rápido aprender a guiar com o novo sistema do que com o tradicional.

Como no caso do carro sem volante, o uso de sistemas de comando eletroeletrônicos, chamados de "drive by wire" ou guiados por fio, possibilita outras aplicações. Também na pista da Mercedes, é possível ver dois caminhões circulando juntos, a pequena distância um do outro, sem que o motorista do segundo veículo precise dirigi-lo. Eles estão interligados eletronicamente e tudo o que o motorista do caminhão da frente faz se repete no de trás. A vantagem imediata do sistema é possibilitar a uma dupla de motoristas viajar mais horas por dia, revezando-se no comando do comboio. Outra é permitir que os caminhões trafeguem a pouca distância um do outro: eles podem andar com segurança separados por apenas três metros. Desta forma, ocupam menos espaço na rodovia, melhorando o fluxo de veículos. E, andando "no vácuo", o segundo caminhão enfrenta menos resistência do ar e poupa combustível.

Pensando em segurança, pesquisa-se em Stuttgart, sede da Daimler-Chrysler, um sistema que identifica pedestres e outros obstáculos no meio da rua. Baseia-se num sistema óptico com duas câmeras que transmitem imagens a um computador. Com base no tamanho, na silhueta e no movimento do que estiver à frente (o movimento das pernas humanas tem características únicas), o dispositivo pode tanto alertar ao motorista quanto mostrar o que viu numa tela. Também identifica semáforos e placas de sinalização, podendo avisar aos distraídos quando estiverem prestes a avançar num sinal vermelho, entrar na contramão ou ultrapassar o limite de velocidade. A previsão é de que, numa primeira etapa, isso diminua a necessidade de atenção do motorista no trânsito pesado – o carro se encarregará do pára-e-anda e de se manter sempre na faixa escolhida.

Mais segurança – Os carros do futuro também participarão do chamado processo de convergência: mais do que simples meios de transporte, serão verdadeiros centros de comunicação. Estarão conectados à rede celular e à Internet. Seus próprios componentes eletrônicos serão interligados por uma rede ultraveloz (no novo Mercedes Classe S já são usadas fibras ópticas). Sistemas de navegação por satélite, que hoje são opcionais nos carros de alto luxo, deverão se popularizar. Será possível saber com antecedência sobre engarrafamentos e as melhores opções para escapar deles. No caso de um acidente, o carro poderá pedir socorro automaticamente, transmitindo sua localização e até mesmo os dados médicos de seus ocupantes. Os defeitos serão detectados por um sistema de diagnóstico a distância, que avisará a oficina mais próxima e providenciará a encomenda das peças que não houver no estoque.

Se você não for exatamente um bom motorista, há boas notícias. Com os comandos e os sensores interligados, os carros do futuro assumirão seu próprio controle sempre que você agir errado ou demorar a reagir a alguma situação. Bater na traseira de outro carro, por exemplo, será quase impossível. Se você entrar numa curva depressa demais, ele primeiro irá acionar os freios. Depois, o sistema de estabilização automática tentará acertar a trajetória e a suspensão inteligente manterá o carro nivelado. Se ainda assim o carro derrapar, o sistema de direção moverá as rodas dianteiras para corrigir. Tudo isso, numa fração de segundo, sem que você perceba que deixou de mandar em seu automóvel. A não ser por um aviso no painel, aconselhando a aliviar um pouco o acelerador. Ou seja, a não atrapalhar.

 
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