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A Microsoft é
demais. Ultracompetitiva, colocou o Windows em mais de 90% dos computadores
do planeta. A Microsoft é riquíssima. Tem US$ 18 bilhões
em caixa e a maior valorização de mercado da história.
O conjunto de suas ações vale mais de US$ 500 bilhões,
quase três quartos do PIB brasileiro. A Microsoft é
generosa. Fez três dos quatro homens mais ricos do mundo.
Bill Gates lidera a lista pelo oitavo ano consecutivo, com US$ 85
bilhões. Seu sócio Paul Allen é o número
2, com US$ 40 bilhões. Steve Ballmer, presidente da empresa,
é o número 4 com US$ 23 bilhões - sem falar
nas dezenas de executivos da empresa donos de dezenas ou centenas
de milhões de dólares. A Microsoft é tão
bem-sucedida que é uma pena existir só uma. Por que
temos direito a apenas um Windows? Por que não deixar que
outras empresas, como a IBM, a Sun e a America Online, criem novos
sabores do sistema operacional mais amado do mundo? Por que não
dar a outros pobres a chance de um dia serem novos Bill Gates?
É exatamente
isso que está em jogo. A empresa mais poderosa deste fim
de milênio foi acusada em 1998 pelo Departamento de Justiça
(DOJ) dos EUA e por 19 Estados de práticas monopolistas.
Foi o início de um processo que chega agora em sua fase final.
Após ouvir testemunhas de defesa e acusação,
o juiz Thomas Jackson deu há um mês seu parecer preliminar
sobre o caso. Falou o óbvio ululante: a Microsoft é
um monopólio. Resta saber se exerce esse poder para o bem,
beneficiando a livre concorrência e os consumidores, ou para
o mal, eternizando-se como dona do mercado de PCs. Jackson dará
seu veredicto em fevereiro de 2000. Pode ser a decisão mais
espetacular contra um monopólio desde as cisões forçadas
da Standard Oil, em 1912, e da AT&T, em 1984. A primeira dominava
o setor petrolífero dos EUA. A segunda, as telecomunicações.
Na hipótese de ser condenada, a Microsoft poderá ser
dividida ou obrigada a tornar o código fonte do Windows,
a caixa-preta que comanda o programa, domínio público,
possibilitando a qualquer empresa cloná-lo.
Aqcess
Technologies
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Bill Gates ainda
pode manter a espada da Justiça dentro da bainha, fechando
um acordo com o DOJ antes da sentença. Se não o fizer,
poderá recorrer de uma decisão desfavorável
levando o caso até a Suprema Corte dos EUA e prolongando
o processo por dois anos. Nada disso, no entanto, alterará
o rumo da era da informação. Nas reportagens desta
ISTOÉ Digital, você vai saber para onde ela caminha.
Está progressivamente se afastando dos PCs, que dominam a
indústria de tecnologia desde 1980, e dirigindo-se em marcha
acelerada na direção de um admirável mundo
novo, um mundo pós-PCs. Os primeiros sinais dessa nova realidade
foram captados em outubro na Telecom 99, a maior feira de telecomunicações,
realizada em Genebra, na Suíça. Eram dezenas de celulares
com câmeras acopladas, telinhas coloridas e acesso rapidíssimo
à Internet sem fio, além de diversos modelos de telefones
sem teclas dotados de um monitor sensível ao toque para discar
e navegar na Web, e ciber-carteiras de dinheiro eletrônico.
Daqui para a frente, telecomunicações e informática
tornaram-se a mesma coisa. Ambas convergiram. A
comprovação desse cenário foi a Comdex Fall,
a maior das feiras de informática, realizada em Las Vegas
em novembro. Uma multidão de empresas européias, japonesas
e americanas lançou novos utensílios para navegar
na rede que vão desde Web pranchetas portáteis até
celulares que tocam música digital e sintonizam rádio
FM. Nem mesmo os automóveis e os brinquedos escaparam ilesos.
Em poucos anos, motoristas controlarão o auto-rádio,
o CD player, a climatização e a navegação
do veículo com comandos de voz. No lugar do volante, poderá
existir equipamentos semelhantes a um joystick, daqueles usados
nos games. Muito
antes disso, as crianças ganharão bonecos inteligentes
que escutam e entendem os desejos de seus pequenos donos. Tudo que
é eletrônico estará conectado 24 horas por dia
à grande rede de computadores. Os consumidores se tornarão
ciberconsumidores. A vida será digital.
Num mundo onde
a Internet é a estrela maior e as pessoas querem acessá-la
de qualquer lugar a partir de celulares, pranchetas, relógios,
computadores de bolso e agendas eletrônicas, os PCs perderão
cada vez mais a sua importância. Continuarão presentes
dentro de empresas, escolas e lares ainda por muito tempo. Chegarão
até mesmo a mudar de forma, ficando mais bonitos, desaparecendo
entre a mobília. Mas, desde já, são coisa do
passado. Estão ultrapassados. Com ou sem a divisão
da Microsoft.
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