157615 de dezembro de 1999  

  M E M Ó R I A
De Portinari a Nelson Rodrigues

A arte extraviada de Santa Rosa seria a primeira a ganhar com a criação de um museu de arte na capital. O artista – nascido em 1909 na Paraíba e morto em 1956 durante viagem à Índia – foi famoso em meados do século quando sua pintura, seus desenhos e sua cenografia chacoalharam os padrões vigentes. Boa parte dessa obra está guardada no Museu Nacional de Belas-Artes, no Rio. Mas outra parte, está perdida ou dispersa, segundo biografia escrita por Cássio Emmanuel Barsante, intitulada A vida ilustrada de Tomás Santa Rosa. O livro fala do círculo de amizades do pintor, que enriqueceram sua obra e lhe ajudaram a dar expressão. Faziam parte do grupo de amigos José Lins do Rêgo (com quem dividiu um quarto de pensão), Cândido Portinari (de quem foi discípulo) e Sérgio Porto (para quem imaginou o popular personagem Stanislaw Ponte Preta). Ao lado do polêmico escritor Nelson Rodrigues, Santa Rosa ajudou a marcar uma fase no teatro brasileiro ao criar a cenografia para o Vestido de noiva, em 1943. Outra tarefa desempenhada era resumir em traços o espírito de livros escritos por autores de expressão. Tornou-se um dos mais requisitados ilustradores. Foram dele as capas originais de algumas obras de Graciliano Ramos (Memórias do cárcere e Vidas secas), Rachel de Queiroz (Lampião), José Lins do Rêgo (Banguê e Menino de engenho) e Mário de Andrade (Macunaíma), entre outros. Uma biografia tão rica quanto desconhecida por alguns dos fiéis depositários de sua obra.

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O mistério de Santa Rosa

 

 
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